8 de dezembro de 2014

Tesouros que não se roubam

Com o passar da vida, pude adquirir muitos tesouros. Esses tesouros não são coisas só materiais, também são coisas que só posso guardar em um único lugar : dentro de mim.
Um dos meus maiores tesouros são os meus pais, pois eles me passaram algo que tinham que hoje é essencial pra mim. Eles me passaram seu amor pela leitura, ambos souberam encontrar um refúgio em lugares que as pessoas constroem com palavras ao invés de tijolo, cal e cimento. Encontraram um refúgio nos livros. E hoje, é tão reconfortante olhar uma cômoda cheia de livros infantis e saber que a maioria deles eu li sozinha. Mas é indescritivelmente mais reconfortante poder falar com meu pai e ouvir ele dizer que não se arrepende nem um pouco de ter lido 18 vezes o mesmo livro pra mim quando era mais nova. Ouvir ele dizer que todo o dinheiro que ele gastou em livros infantis foi o dinheiro mais bem gasto que pôde gastar comigo.
É tão gostoso olhar pro meu livro da Bela e a Fera e lembrar da minha mãe sentada comigo na beirada da cama lendo pra mim e ao acabar o livro me ouvir falar : “De novo mãe ! Lê de novo !” mesmo sabendo que ela ia fechar o livro, me dar um beijo, me deitar na cama e falar que na próxima noite leria ele novamente e ficar comigo até eu adormecer.
Não consigo descrever a sensação que é ouvir meu pai dar risada ao me ouvir contar a história do livro que estou lendo. Ou de ouvir minha mãe contar com orgulho pra quem quiser ouvir, que li 28 livros nas minhas últimas férias.  Esse meu amor pela leitura, também é um de meus maiores tesouros; que só quem também tem sabe qual é a sensação.
Quem realmente me conhece, pensa várias vezes antes de me pedir um livro emprestado. Pois sabem que tenho o maior carinho por eles, pois meus livros, também são meus tesouros. Pois são eles que me tiram de órbita quando preciso, ou que me distraem e me mantém segura enquanto outras pessoas da minha idade correm perigo mundo à fora.
Desde certa idade, sempre ouvi as pessoas se referirem à mim como “a menina com o livro na mão”. E algumas vezes senti vergonha disso, pois acreditava que me enxergavam como uma garota imatura que se enfia em livros pra fugir da realidade. Mas hoje, sinto orgulho disso. Pois afinal, é realmente isso o que faço. Me enfio em livros pra sair da realidade, ir para um mundo que não existe só nas páginas, mas também na minha mente. Hoje, realmente não me importo que pensem ou me chamem de imatura por ler sempre que posso ao invés de querer ir para uma festa ou economizar para comprar um livro ao invés de bebida.
Tenho muitos outros tesouros em minha vida, tantos, que passam à ser incontáveis.  Meus amigos, por exemplo, fazem parte dessa coletânea. Sim, coletânea pois sou uma colecionadora não só de livros ou outras coisas, mas colecionadora de tesouros. "Ué, mas não são os piratas que têm esse dever de colecionar tesouros ?!" Então, que seja. Sou uma pirata, e os meus tesouros são os mais preciosos do mundo ! São tesouros que muitas vezes nem o dinheiro paga, pois sou uma pirata de sensações. Pois a vida, no final, é feita delas sejam elas boas ou más.
Sou grata por ter a honra de possuir esses tesouros. Pois hoje, posso construir mais um. Hoje sou eu quem constrói refúgios sustentados por palavras. E me orgulho disso.

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